domingo, 26 de fevereiro de 2017

1969 E OUTROS POEMAS DE GABY RUIZ



1969

Mi nombre es región en este viaje...
el tiempo perfuma las sombras entre montañas
los nogales se reclinan a beber en el río bravo
desde el vértigo

Mi nombre es región en este viaje...
es hora de bañarse bajo la lluvia
nos tomaremos de las manos
desde las orillas

Mi nombre es región en este viaje...
vuelvo a mi vacío favorito, el calor
ungida por la tierra
como la tangente inmortal al finalizar el invierno transparente


1969

Meu nome é região nesta viagem... 
o tempo perfuma as sombras entre montanhas
as nogueiras reclinam-se para beber no rio bravo
desde a vertigem

Meu nome é região nesta viagem... 
é hora de tomarmos banho sob a chuva
segurar-nos-emos as mãos
desde as beiras

Meu nome é região nesta viagem... 
volto para o meu vazio preferido, o calor
ungida pela terra
como a tangente imortal ao finalizar o inverno transparente


NUEVAS PRIMERAS VOCES

Me sorprendió un silencio de coyotes
porque respiraba la noche
porque yo era luna parda
y me despeinaban los saguaros tiernos del camino
como hermanos que te abrazan

Mis labios se mojaron en aureolas líquidas
llanto alegre de la Sierra Madre que bebí.
Fue la cosecha fresca del tejuino
hirviendo en los pómulos.
Yo y mis hermanas corrimos.

Podías llamarme desde el vacío de nombres
porque llovía y rugía mi corazón
porque me había hecho una mujer sabia.
Tarde-Cielo no debe tener estrellas
pero es dios cuando te grita:
"Eres una y eterna"


NOVAS PRIMEIRAS VOZES

Surpreendeu-me um silêncio de coiotes
porque respirava a noite
porque eu era lua parda
e me despenteavam os saguaros tenros do caminho
como irmãos que te abraçam

Os meus lábios molharam-se em auréolas líquidas
pranto alegre da Sierra Madre que bebi.
Foi a colheita fresca do tejuino
a ferver nas bochechas.
Eu e minhas irmãs corremos.

Podias chamar-me do vazio dos nomes
porque chovia e rugia o meu coração
porque virara uma mulher sábia.
Tarde-Céu não deve ter estrelas
mas é deus quando ťe grita:
"És uma e eterna"



MOHICANO

Emboscada
espalda y brazos extendidos,
esos frenéticos continentes
entran en combate
el salto salvaje del impulso narrativo
el duelo de las miradas
el enfrentamiento con el más oscuro enemigo
es decir, los viejos amantes
el infierno del olvido
el deseo de la venganza
eres el mortal que no perdona
el primer desposeído
emanas de mi último ocaso
del paisaje del asedio
es demasiado tarde...
mohicano desvanecido
                ¡Vienes a exterminarme!


MOICANO

Emboscada
de costas e braços estendidos,
esses frenéticos continentes
entram em combate
o salto selvagem do impulso narrativo
o duelo dos olhares
o enfrentamento com o mais obscuro inimigo
é dizer, os velhos amantes
o inferno do esquecimento
o desejo de vingança
és o mortal que não perdoa
o primeiro despossuido
emanas do meu derradeiro ocaso
da paisagem do assédio
é tarde demais...
moicano esvaído
                      Vens exterminar-me!

© Texto: Gaby Ruiz
© Tradução: Xavier Frias-Conde